Antes de chegar ao Museu Casa Guignard, onde seria oferecida a oficina Pigmentos e Tintas, não portava endereço seguro e, portanto, minha pontualidade, objeto quase abstrato para o qual dedico atenção de acordo com minhas vontades, estava ameaçada.
Tinha uma pauta a cumprir e arbitrariedade alguma que partisse de mim pararia ou adiantaria os relógios. Duas horas da tarde, hora marcada para início da oficina e, no entanto, a porta continuava com a postura imperiosa de não oferecer qualquer fresta que autorizasse passagem.
Poucos minutos adiante, uma portinhola se abre embaixo dos nossos pés – sensação de ladeira – e podemos entrar no atelier instalado no porão do Museu. Me apresento a Attilio Colnago, artista plástico e professor da Universidade Federal do Espírito Santo, pedindo licença para adentrar no império de pedras que aquele porão/atelier simbolizava.
Com atenção quase infantil, vasculho o ambiente e tento traçar um itinerário dos objetos dispostos ali. Ao fundo um portão alto, de ferro, parecendo ser guardião do jardim que entrecortava com as grades pesadas. Um balão de junho esquecido sobre cadeiras; outro, preservando com faísca de lâmpada cores acesas, suspenso frente ao retrato do rosto que não se identifica.
Como se houvesse uma clarabóia natural, o centro do atelier era invadido por um azul de tonalidades controladas por marchas de nuvem. Desço das alturas do devaneio para o início da oficina. No primeiro dia, o qual me limito retratar, passou desde a Idade da Pedra a representações artísticas contemporâneas
Pintura e restauração: o sentido dos materiais explanou a sensibilização tátil frente a materiais oferecidos pela terra para a composição da matéria prima da construção de símbolos e conceitos, ora visionários, ora tradicionais, nas representações artísticas produzidas pelo homem.
A oficina propõe a discussão do que é o artista – ser abstrato e potente, vulnerável e imortal – e a exploração de texturas e pigmentos presentes em seu trabalho. Das poucas horas que tive da oficina que seguirá até o dia 23 de julho, não pude fazer cores, curiosidade inquietante agora, como idéia plantada pelo cal.
(todo escrito tem seu tempo do rídiculo para ter coragem de ser visto)
quarta-feira, 20 de outubro de 2010
quarta-feira, 13 de outubro de 2010
patota
Escolha fazer parte de um lugar que fuja de todas as definições que tudo concluem e estigmatizam. Escolha avaliar cada gesto teu e colocar sentimento em cada ato. Escolha ser muitos e ter um pouco de você em cada pessoa com a qual vive. Escolha não ter uma rotina de ações ou de pensamentos.Escolha colocar o pé na eternidade.
Patotinha 32 anos. Pediremos bis e tudo será perfeito!
domingo, 1 de agosto de 2010
É como se alguém tivesse ousado colocar as coisas sublimes e marmóreas em desassossego. Sinto infantilmente uma fé acuada, que tenta se apegar a qualquer coisa que esteja fora dos engasgos da minha cabeça. E o único som que vem e me pontua, como socos blasfêmicos na boca do estômago, é o da terra proibindo senti-lo de novo. Acostuma-se,isso é fato. Mas a gente também morre um pouco.
terça-feira, 20 de julho de 2010
Fazendo estrada no ar da imaginação "Rádio Osquindô" leva a infância para o infinito

Corrente que prende gente / quem tem medo sai da frente! Pequenos iam e viam numa ligeireza só, entrecortando a fila para o show da “Rádio Osquindô”, realizado pela Cia Lunática, às 18h do domingo (18), no Teatro Ouro Preto.
A “Rádio Osquindô”, transmissão imaginária que tem como interferência palmas e gargalhadas, tinha todos os elementos do palco e da platéia coreografados: lamparinas suspensas acendiam e apagavam como se brincassem de ser vaga-lumes enquanto mãos e pés batiam no compasso que pedia a música de abertura.
Guitarra, baixo, bateria, percussão e voz imitavam trovoada e trem no misto teatral e sonoro que é a apresentação da Rádio Osquindô. O palco é uma brincadeira montada por cores, luzes e apetrechos jocosos. Nem todos resistem em não adentrar nessa fantasia: um menino salta para o mundo lúdico que era representado.
Cantaram a infância com a saudade que levam as pipas, em plano aéreo do tempo que nos faz crescer – alturas longínquas – e com a pequeninice das formigas, de posse do dom natural de apropriar-se do que nos escapa aos olhos para a criação de universos.
Ao cantarem Borboleta, de Marisa Monte, uma pequenina vestida de branco e com asas com brilhos de lantejoulas foi saudar o público rodopiando e ensaiando um canto tímido de menina, mas que levava a coragem de ser ouvido por dezenas de pessoas.
O grupo da Rádio Osquindô é formado por seis adultos que pegaram carona em uma cauda de cometa e decidiram que viver no mundo da lua, onde não há restrições para sonhos fantásticos que se põem fora da órbita do mundo de “gente grande”, é conservar-se criança e feliz. Me parece que aquela gente grande que estava em cima do palco pensa como Manoel de Barros, que olha as coisas de azul, "que nem uma criança que você olha de ave".
terça-feira, 13 de julho de 2010

O cortejo “Somos todos Chico-Rei – Circo Arte – Educação e Cidadania” abriu às 15h20 da última quinta, 8 de julho, o Festival de Inverno de Ouro Preto e Mariana – Fórum das Artes 2010. Do Largo do Cinema ao terminal de integração José da Silva Araújo, “Zé Duca”, inaugurado às 16h30 do mesmo dia, os Franciscos fizeram “o Brasil subir a ladeira” em tom compassado e policromo.
Guerreiros vibrantes, levaram em ritmo de chão e de altura as memórias da escravidão e da liberdade. Da janela da Rua Teixeira Amaral, um homem, uma mulher e um pássaro assistiam a música que corria, vinda de trás. Palmas em espreita, viam a menina que pisava em mãos.
E foram também ritmo mar, em vento vermelho de asas de pano, reverência à cor e coroa em estandarte. Menino, preste atenção, pediam para em fala grave, de marcha, dizer da força do Chico de Francisco, Chico-Rei, e dos filhos da África.
quinta-feira, 1 de julho de 2010
quarta-feira, 16 de junho de 2010
a coisificação do corpo
O corpo é interpelado a identificar-se. Portar-se.Consumir.Defecar. O corpo é voz, é gesto, é o que você é. Seu almoço, seu desgosto, sua fama. Traz o legado de eras do mundo. Geneticamente escapou do sagrado e andou à luz da Razão.O corpo é coisificado, etiquetado. O corpo é movimento compassado. Corpo público, ético.Corpo fotográfico, acadêmico, líquido. Decorado. Copiado. Corpo anunciado. Publicado: obituário.
Trabalho transdisciplinar da turma mais relapsa de jornalismo.
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