quarta-feira, 28 de abril de 2010
quinta-feira, 8 de abril de 2010

Estou com princípio de pneumonia e me tornei uma burguesa, não tiro minhas meias dos pés!
Pelo menos essa enfermidade me dá sol no colchão no quintal de casa, cappuccino, filmes que são "ICHS demais", segundo as minhas patotas amadas e que adoram me pelar o saco, e pequenos paparicos.
Mas me tira o momento quase sublime, por sua raridade, de ouvir rock no CAEM e ir pra Viçosa de carona.
Confesso também que resistir ao choconhaque que vai rolar na Patotinha hoje vai ser muito, muito difícil!
p.s: Cena do filme "Meu irmão é filho único".
Há também "1984" (que deixou a Yara cabeça de borboleta apavorada e rendeu à Laís uma pessoa pendurada no seu pescoço de madrugada) e "Paradise Now", que veremos hoje.
quarta-feira, 7 de abril de 2010

Uma sala de aula nunca foi um ambiente que ela pudesse classificar como agradável. Não cabia naquela gaveta de gente, e mesmo as idéias que circulavam junto ao ventilador de teto lhe pareciam excessivamente impessoais. Assim dizia fulano, ciclano e beltrano. Segunda ela, quando era?
Mas havia um momento, sem a necessidade de sua permissão, que as idéias penduradas na hélice despencavam trazendo o peso de um soco no estômago: era a aula de cultura e identidade brasileira. Era a cisma natural das perguntas que ninguém tinha a valentia de pensar ou responder.
Diante da força das inquietações - e das cadeiras, mesas e quadros que se colocavam absolutos no consagrado habitat acadêmico – emudecia. O soco no estômago tirava-lhe a fala, mas de algum modo lhe fazia traduzir e proclamar as coisas de si de um jeito diferente.
A identidade, muitas vezes estupidamente erguida como estandarte de imposição do que teatralmente se é, aceitou travar diálogos com os fulanos e se compreendeu plural e não concluída. Talvez tenha adotado algo da estética do Bispo.
Estranho vício de ter as idéias desordenadas, violadas. Mas a abstinência vinda da constância que a perturbava mais além que a estabilidade a curou de certo modo de sua miopia.
terça-feira, 19 de janeiro de 2010

O dia inteiro então foi arrastado em meio ao calor, às paredes, ao tédio e a mesma dormência insistente nas pernas. Seu corpo era dado a expressar essas coisas; por vezes, sentia um formigamento nos pés, como se estivesse sendo pedida pra partir. Em momentos como esse, acostuma-se a ter a casa vazia.
E aí surge a formidável biogênese dos universos que se criam pelos cantos. E é prazeroso este pequeno controle vindo do som, dos objetos desordenados, porém sempre tão leais; e do meio tom no ar que preserva (como se luz deixasse as portas abertas) a autonomia e pessoalidade do seu universo. Mas sim, é preciso ter em mãos qualquer asa ou escada que dê conectividade ao que se sabe existir pela lucidez e pela evidência dos fatos. Por isso o som familiar, hóspede; e as expressões emanadas do corpo, ancestrais. O que fere abriga a compreensão que inutilmente, com êxitos esparsos talvez, busca quando está tudo claro e em movimento. Pois acostuma-se também com a casa cheia, mas é preciso que esteja vazia para que o corpo usurpe a função do verbo. E o resto se faz em companhia do universo que as formiguinhas dos pés tem o poder de carregar. E com as lâmpadas, acendendo e apagando.
segunda-feira, 18 de janeiro de 2010
Ana Cristina Cesar
